Meu primeiro programa com travesti

O que contarei aqui sobre meu primeiro programa com travesti faz parte de minha experiência pessoal. Assim, depois entendi que se tratou de uma exceção no somatório de minhas alegrias e prazer ao longo de 30 anos com travestis. O ano de referência é 1988. (Click here to read the english version)
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Na vida aprendemos pelo amor ou pela dor.

No meu primeiro encontro aprendi pela dor que deveria ter sido atento aos detalhes e mais cuidadoso na escolha do local, mas a total falta de experiência torna tudo compreensível.
Aos 18 anos decidi ter minha primeira experiência com uma travesti, mas não sabia quando, nem como e “nem quanto! ”
Já tinha em mim convicção de ser ativo. Travesti deve ser tratada e amada como mulher.
Um ano depois, aos 19, sem buscar qualquer informação mais detalhada de quanto custaria o encontro – por vergonha e medo de me revelar –  fui a minha primeira aventura. Em 1988 não havia internet, sites de encontros, telefone celular e outras facilidades populares que temos de 1995 para cá. Em 1988 havia apenas a RUA.
Histórias de travesti.
Primeiro fui ao cinema no Centro Histórico de Salvador, salvo engano foi o Cine Liceu, crepúsculo de uma sexta-feira. Nas proximidades há o Beco de Maria Paz – muito conhecido naquela época onde poderia encontrar uma travesti para fazer meu primeiro programa (eu nem sabia que o nome era programa).
Saí do cinema, fiquei enrolando pelo Pelourinho até umas 20 horas e depois segui em direção ao local das travestis. Ao me aproximar do Beco de Maria Paz observei algumas travestis e aí me veio o medo de ser visto por algum conhecido (algum conhecido por ali só se fosse atrás de travesti, mas nem pensei nisto!). Sim, medo de ser reconhecido foi a primeira sensação! Assim, minha primeira abordagem foi apressada – desastrosa – e falei com a primeira que achei mais atraente. 
“Eu disse para ela que seria minha primeira experiência. ”
Meu primeiro erro: não acertar previamente o valor do programa.
 Assim, ela me levou ao “hotelzinho” mais próximo. Minha pressa era de sair da exposição rua.
Meu segundo erro: deixar que ela ficasse com a chave do quarto.
Sexo no meu primeiro encontro – embora ter sido gostoso – é assunto secundário devido a todos os fatos que aconteceram no fim. Portanto, ao final do programa paguei o equivalente a 40 ou 50 reais, hoje…. Acho.
A soma de meus erros resultou em mais ou menos dez minutos de angústia quando minha primeira travesti se transformou e disse que não combinamos o preço e eu deveria pagar mais, pois fizemos além do básico (eu nem sabia qual era o básico!). Disse-me também que começaria a gritar e faria um escândalo! Pegou minha carteira, abriu e só encontrou uma merreca e dois vales-transportes.
Lembro de afirmar com voz amedrontada que não tinha mais dinheiro, porém até dentro de meu sapato ela olhou.
Quando se convenceu que realmente eu não mentia, cessou a pressão e deixou eu ficar com um vale-transporte. Chorei por dentro, amarelei por fora e fiquei decepcionado com tudo aquilo.
Ao final ela abriu a porta e me deu uma dica de ouro:
Meu bem, sempre acerte antes o preço do programa. ”
Foi muito pior emocionalmente que minha breve descrição dos fatos.
Na verdade, tudo foi resultado de minha total falta de experiência e por conta disto passei três anos para tomar coragem e fazer meu segundo programa em Salvador. A partir daquele momento fiquei sabendo que o nome do encontro é programa. Porém, prefiro chamar de encontro quando acerto algum.
Então, plagiando o filme A Procura da Felicidade: esta é a fase da minha vida que se chamou “quebrei a cara ou tomei no cu. ”
Na vida aprendi muitas coisas pelo amor, mas outras foi pela dor mesmo. De qualquer forma o importante foi entender a lição que meu primeiro programa com travesti me deu.
Foi um começo errado para algo muito bonito e gostoso que dá certo há mais de 30 anos!
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